segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PRESENTE DO SUBJUNTIVO


Presente do Subjuntivo 

O presente do subjuntivo dos verbos é formado substituindo-se a terminação –O da primeira pessoa do singular do presente do indicativo pelas seguintes terminações:

AR                         ER/IR
Eu                                                          e                             a
Você/Ele, ela                                    e                             a
Nós                                                       emos                    amos
Vocês/ Eles, elas                             em                         am

Exemplo:            eu durmo (1ª pessoa do singular do presente do indicativo)
                               Que eu durma – Que você durma – Que nós durmamos – Que vocês durmam

Verbos Irregulares

Dar                        Ir                            Ser                         Estar

Eu                                          dê                          vá                           seja                       esteja
Você/ Ele, ela                    dê                          vá                           seja                       esteja
Nós                                       demos                 vamos                  sejamos              estejamos
Vocês/Eles, elas              deem                   vão                        sejam                   estejam


                                               Querer                 Saber                    Haver

Eu                                          queira                  saiba                     haja      
Você/ Ele, ela                   queira                  saiba                     haja      
Nós                                       queiramos          saibamos            hajamos             
Vocês/ Eles, elas             queiram              saibam                 hajam
                              
O subjuntivo é introduzido pelos seguintes verbos e conjunções:

Verbos de Desejo:                                         Desejo que
               Espero que

Ordem:                                                               Quero que
               Mando que

Dúvida:                                                               Duvido que

De sentimento:                                               Que bom que
               É uma pena que

Expressões Impessoais                                É provável que
                É possível que

As conjunções:

Concessivas: embora, ainda que, mesmo que, apesar de que
Condicionais: desde que, contanto que, caso
Finais: para que, a fim de que
Temporais: Antes que, até que
Tomara que/ Talvez

Dar um Jeitinho - Paulo Mendes Campos


Segundo Paulo Mendes Campos, uma das coisas que nos faz realmente brasileiros é a nossa capacidade de "dar um jeitinho"....


Dar um JeitinhoPaulo Mendes Campos

Escrevi na semana passada que há duas constantes na maneira de ser do brasileiro: a capacidade de adiar e a capacidade de dar um jeito. Citei um livro francês sobre o Brasil, no qual o autor dizia que só existe uma palavra importante entre os brasileiro: amanhã.
Pois fui ler também o livro Brazilian Adventure, de 1933, do inglês Peter Fleming, marido da atriz Célia Johnsonm integrante da comitiva que andou por aqui há trinta anos em busca do coronel Fawcett. No capítulo dedicado ao Rio, sem dúvida a capital do amanhã, achei este pedaço: “A procrastinação por principio- a procrastinação pela própria procrastinação- foi uma coisa com a qual aprendi depressa a contar. Aprendi a necessidade de resignação, a psicologia da resignação: tudo, menos a resignação em si mesma. No fim extremo, contrariando o meu mais justo aviso, sabendo a futilidade disso, continuei a emgambelar, a insultar, a ameaçar, a subordinar os procrastinadores, tentando diminuir a demora. Nunca me valeu de nada. Não e possível evita-la. Não há nada a fazer contra isso.
Não é verdade, Mr. Fleming: há uma forma de vencer a interminável procrastinação brasileira: é dar um jeitinho. O inglês apelou para a ignorância, a sedução, o suborno. Mas o jeito era dar um jeito.
Dar um jeito é outra disposição cem por cento nacional, inencontrável em qualquer outra parte do mundo. Dar um jeito é um talento brasileiro, coisa que a pessoa de fora não pode entender o praticar, a não ser depois de viver 10 anos entre nós, bebendo cachaça conosco, adorando feijoada, e jogando no bicho. É preciso ser bem brasileiro para se ter o animo e a graça de dar um jeitinho numa situação inajeitável. Em vez de cantar o Hino Nacional, a meu ver, o candidato à naturalização deveria passar por uma prova: dar o jeitinho numa situação moderadamente enrolada.
Mas chegou a minha vez de dar um jeito nesta crônica: há vários anos andou por aqui uma repórter alemã que tive o prazer de conhecer. Tendo de realizar algumas incursões jornalísticas pelo país, a moça freqüentemente expunha problemas de ordem pratica a confrades brasileiros. Reparou logo, espantada, que os nossos jornalistas reagiam sempre do mesmo modo aos galhos que ela apresentava: vamos dar um jeito. E o sujeito pegava o telefone, falava com uma porção de gente, e dava um jeito. Sempre dava um jeito.
Mas, afinal o que era dar um jeito? Na Alemanha não tem disso, não; lá a coisa pode ser ou não poder ser.
Tentei explicar-lhe, sem sucesso, a teoria fundamental dedar um jeito, ciência que, se difundida a tempo na Europa, teria evitado duas guerras carniceiras. A jovem alemã começou a fazer tantas perguntas esclarecedoras, que resolvi passar a aula prática. Entramos na casa comercial dum amigo meu, comerciante cem por cento, relacionado apenas com seus negócios e fregueses, homem de passar o dia todo e as primeiras horas da noite dentro da loja. Pessoa inadequada, portanto para resolver a questão que forjei no momento de parceria com a jornalista.
Apresentei ele a ela e fui desembrulhando a mentira: o pai da moça morava na Alemanha Oriental: tinha fugido para a Alemanha Ocidental; pretendia no momento retornar à Alemanha Oriental, mas temia ser preso; era preciso evitar que o pai da moça fosse preso. Que se podia fazer?
Meu amigo comerciante ouviu tudo atento, sem o menor sinal de surpresa, metido logo no seu papel de mediador, como se fosse o próprio secretário das Nações Unidas. Qual! O próprio secretário das Nações Unidas não teria escutado a conversa com tão extraordinária naturalidade. A par do estranho problema, meu amigo deu um olhar compreensivo para a jornalista, olhou para mim, depois para o teto, tirou uma fumaça no cigarro e disse gravemente: “O negócio é meio difícil...é...esta é meio complicada....Mas, vamos ver se a gente dá um jeito.”
Puxou uma caderneta do bolso, percorreu-lhe as páginas, e murmurou com a mais comovente seriedade: “Deixa-me ver antes de tudo quem eu conheço que se de com o Ministro da Relações Exteriores.”
 A jornalista alemã ficou boquiaberta.

FUTURO DO SUBJUNTIVO


FUTURO DO SUBJUNTIVO

O Futuro do Subjuntivo é usado para indicar eventualidade no futuro. Uma ação que pode ocorrer no futuro, que não é certa, mas é provável.
Geralmente vem acompanhada de um oração principal com verbo no

Ø  Futuro do indicativo.
Quando eu chegar ao Brasil, encontrarei meus amigos.


Também pode vir acompanhado dos seguintes verbos:

Ø  Presente do Indicativo:
Quando eu for ao Brasil, quero conhecer percorrer todas as praias.

Ø  Presente do Subjuntivo:
Quando eu for ao Brasil, talvez visite o Corcovado.

Ø  Imperativo
Quando eu for ao Brasil, receba-me no aeroporto.


O Futuro do Subjuntivo acompanha as seguintes conjunções:


 QUANDO – SE –  ENQUANTO – ASSIM QUE - LOGO QUE -  DEPOIS QUE- COMO -  À MEDIDA QUE -

Logo que você chegar, me telefone!
Assim que eu chegar, te telefono.
Sempre que você sair, leve sua chave.

A conjugação do Futuro do Subjuntivo é feita substituindo-se a terminação –AM da terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo pelas seguintes terminações:

Eu                              
Você/ele/ela             
Nós                              MOS
Vocês/eles/elas          EM

Eles chegaram >  Quando eu chegar                      
                             Quando você chegar  
                             Quando nós chegarMOS                                                                                                                  
                             Quando eles chegarEM

Eles trouxeram > Quando eu trouxer
                             Quando você trouxer
                             Quando nós trouxerMOS
                             Quando vocês trouxerEM

terça-feira, 1 de maio de 2012

Jeito: Uma Palavra Muito Usada no Português Brasileiro

A palavra "jeito" sozinha significa maneira, mas ela também pode ser usada de mil jeitos, e vai ter um significado diferente, dependendo da expressão e do contexto em que estiver inserida.
Confira abaixo algumas delas:



Fazer algo com Jeito: com habilidade
É preciso saber dar injeção com jeito, se não, dói muito!
Este trabalho é muito complicado, é preciso fazê-lo com jeitinho!

 Dar um Jeito: encontrar uma solução
Tenho muitas dívidas para pagar e estou sem dinheiro! Vou ter que me virar, dar um jeito!
Como não tinha farinha, eu dei um jeito e fiz o bolo com maizena.

Dar Um jeito em: consertar, arrumar
Hoje vou dar um jeito no meu cabelo: retocar raiz, alisar e fazer chapinha
Este menino está mal criado, preciso dar um jeito nele.

Levar Jeito Para: ter aptidão
Aline leva jeito para ser professora.
Eu não levo jeito para ser tia!

Mal Jeito: torcer, machucar
Dei uma mal jeito no meu pé e ele está doendo muito.
Meu pescoço está doendo porque dormi de mal jeito.

Ficar Sem Jeito: ficar com vergonha
Ana ficou sem jeito na apresentação, eram muitas pessoas olhando para ela.
Sempre fico sem jeito quando tenho que falar em público.




Colocação Pronominal

Você já ouviu alguém falando para um amigo: "Convidá-lo-ei para a minha festinha no próximo sábado"???? Se ouviu deve ter ficado surpreso... E não é para menos, a colocação pronominal é algo muito debatido no português brasileiro. E aí vem a dúvida, quando usar ênclise, próclise, mesóclise? O que é isso??? Não se assuste, em primeiro lugar vem o bom senso, lembre-se que um bom falante (em qualquer língua) é aquele que sabe se adequar ao contexto.
Na língua falada, o pronome sempre antes, e quando são dois verbos, o pronome deve vir sempre no meio. Na escrita, se não é algo muito formal, lembre-se de nunca começar frases com pronomes e colocá-lo sempre depois de locuções com verbos no infinitivo.
Vejamos o que Luís Fernando Veríssimo nos diz sobre isso.

Antes de apresentar o Carlinhos para a turma, Carolina pediu:
— Me faz um favor?
—O quê?
— Você não vai ficar chateado?
—O que é?
— Não fala tão certo?
— Como assim?
— Você fala certo demais. Fica esquisito.
—Por quê?
— É que a turma repara. Sei lá, parece…
— Soberba?
— Olha aí, ‘soberba’. Se você falar ‘soberba’ ninguém vai saber o que é. Não fala ‘soberba’. Nem ‘todavia’. Nem ‘outrossim’. E cuidado com os pronomes.
— Os pronomes? Não posso usá-los corretamente?
— Está vendo? Usar eles. Usar eles!
O Carlinhos ficou tão chateado que, junto com a turma, não falou nem certo nem errado. Não falou nada. Até comentaram:
— O Carol, teu namorado é mudo?
Ele ia dizer ‘Não, é que, falando, sentir-me-ia vexado’, mas se conteve a tempo. Depois, quando estavam sozinhos, a Carolina agradeceu, com aquela voz que ele gostava:
— Comigo você pode botar os pronomes onde quiser, Carlinhos.
Aquela voz de cobertura de caramelo.
(VERISSIMO, Luis Fernando. Contos de verão. O Estado de S. Paulo, 16 jan. 2000.)

Os Jornais - Rubem Braga


OS JORNAIS - Rubem Braga


Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:
- Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desagraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenha conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime "Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz..." Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:
"Anteotem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, no Méier, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, 23 anos de idade, aproveitou-se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá-la alegremente, dando-lhe beijos na garganta e na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou-se para o seu marido, beijando-o longamente na boca e murmurando as seguintes palavras: "Meu amor", ao que ele retorquiu: "Deolinda".
Na manhã seguinte Augusto Ramos foi visto saindo de sua residência às 7:45 da manhã, isto é, dez minutos mais tarde do que o habitual, pois se demorou, a pedido de sua esposa, para consertar a gaiola de um canário-da-terra de propriedade do casal".
A impressão que a gente tem, lendo os jornais - continuou meu amigo - é que "lar" é um local destinado principalmente, à pratica de "uxoricídio". E dos bares, nem se fala. Imagine isto:
"Ontem, certa de 10 horas da noite, o indivíduo Ananias Fonseca, de 28 anos, pedreiro, residente à rua Chiquinha, sem número, no Encantado, entrou no bar "Flor Mineira", à rua Cruzeiro, 524, em companhia de seu colega Pedro Amância de Araújo, residente no mesmo endereço. Ambos entregaram-se a fartas libações alcoólicas e já se dispunham a deixar o botequim quando apareceu Joca de tal, de residência ignorada, antigo conhecido dos dois pedreiros, e que também estava visivelmente alcoolizado. Dirigindo-se aos dois amigos, Joca manifestou desejo de sentar-se à sua mesa, no que foi atendido. Passou então a pedir rodadas de conhaque, sendo servido pelo empregado do botequim, Joaquim Nunes. Depois de várias rodadas, Joca declarou que pagaria toda a despesa. Ananias e Pedro protestaram, alegando que eles já estavam na mesa antes. Joca, entretanto insistiu, seguindo-se uma disputa entre os três homens, que terminou com a intervenção do referido empregado, que aceitou a nota que Joca lhe estendia. No momento em que trouxe o troco, o garçom recebeu uma boa gorjeta, pelo que ficou contentíssimo, o mesmo acontecendo aos três amigos que se retiraram do bar alegremente, cantarolando sambas. Reina a maior paz no subúrbio Encantado, e a noite bastante fresca, tendo dona Maria, sogra do comerciante Adalberto Ferreira, residente à rua Benedito, 14, senhora que sempre foi muito friorenta, chegando a puxar o cobertor, tendo depois sonhado que seu netinho lhe oferecia um pedaço de goiabada".
E meu amigo:
- Se um repórter redigir essas duas notas e levá-las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiaram tudo, tudo, menos, uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida...